É. O grande SIM.
A afirmação, o ato de concórdia já não é promovido pelo enunciado que o intervêm? Sim.
Sim ao fim do homem, ao sujeito, ao indivíduo;
“Sim, máquina desejante!”
Movam seus pistões!
Caiam em seus porões!
– objetivações sem nãos –
Vão ser seu desejo
Escorram pelo abismo
Escapem à formas
Inundem desertos
Na repetição social
O instante formata-se
Distante, em multidões,
Motor do vazio
Em sons sem-ser
Não é. A negação é uma afirmação, não há saída. De todos os lados, em um procedimento maquínico, tornamo-nos sim-tido; ou, o sentido que não há.
“...máquinas e campos vazios, um infinito deserto a se povoar. Grandes estruturas de aço, passos-largoam sobre os mundos. Mais o que lhes saciam? “Sim”. Apenas isso. Rizomas na terra, pensamentos no espaço.”
Autômatos rizomatizam-se por entre os estratos, querem melhor desterritorializarem-se. O sim e a imanência, a garantia do movimento, a continuidade, a resposta do acordo; a dispersão para onde há. Parar não é possível.
“e então, num simétrico balançar de cabeça, tudo está dito, o amargo engolido, e o ser desespera em não ter outra opção”
O sim que dizemos a cada segundo que escolhemos viver, talvez não seja então, tão justificável. Moldados pela caixa que nos comporta, repetimos entusiasticamente “esta é minha forma”, acreditando que fora dela, escorreríamos pelos bueiros. Digo: escorram! Tornem-se líquidos, vapores. Se o movimento é imanente, acelere. Escorra pelos estratos, vomite, urine. Jogue-se por todos os lados.
É assim que estará deixando para trás “você” – rastro do porvir. Não há o que temer, o que há de vir, já é. O lamento de seu não-Eu, de nada adianta. Marcar o que no vazio? O grande SIM ao escapamento. À fuga; do carburador e do verbo.
A “instituição-social” foi produzida no Sim. O acordo. A lei. O reverbe. A resposta premeditada. O aceno consentido. Digamos um SIM ainda maior, abandonemos nosso NÂO infantil, sejamos imperativos.
O NÃO que ficou reservado ao desvio, deverá submerger. Um não ainda a ser dito, ainda à não poder ser contido. Um não que reverta a imanência, que a torne contra-tendência. Que revire todos os acordos, e exponha a carne-viva que somos.
Procuremos nossas próprias feridas, enfiemos os dedos, e as mãos, tornemo-nos sádicos de nossa própria dor. “caímos no fosso, no vazio, e escorremos pelo infinito”...
“um dia, acordei e já não era mais eu. Mas se já não me era, como poderia saber?”
Em nossa escalada biológica, o sim é o ponto de partida, o berço da “cultura”, o nascimento do homem-social. Se nossa própria negação, é a tentativa de afirmação, (como nas crianças, “me afirmo negando”) afirmemos sem notar os firmamentos.
Que se abra o grande sim, em múltiplas e infindas abas de olhares-possíveis, e que o SIM responda ao caos: “vou bem atrás, seguindo seus passos”; forjemos homens sem moldes – em forjas fragmentárias de estruturas impossíveis; braços sem mãos, olhos de cheirar, buracos de cair; cabelos de comer, e, assim por diante, aniquilemos funções dadas para dados ainda não formatados. Formatar – for-matar-se.
Abandonemos a métrica, e cultuemos as desproporções. Cortemos os pulsos, e bebamos nosso sangue ainda cálido. Torremos nossos dedos, e quebremos nossos joelhos. Se olhamos para o futuro, pouco importa – é o eterno presente, quente e insaciável, que objetivamos.
O sim e a repetição. A pergunta e sua resposta. A repetição, a imanência. Uma máquina, um motor, sacode seus pistões, e depois voltam ao ciclo de suas repetições.
máquinas de é.
Nenhum comentário:
Postar um comentário