segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Mais um caso notificado: objetos arremeçados de apartamentos.

Mais um caso foi notificado.

Uma velhinha caquética que passeava pela rua foi atingida por televesão arremeçada de algum edifício ao seu redor.

Os ataques estão tornando-se cada vez mais constantes. Primerio vieram os ovos, depois garrafas de vidro, e então começeram a cair ferros de passar, caixas de som, micro-ondas, e os mais diversos tipos de eletro-domésticos.


Não foi possível responsabilizar nenhum humano pelos acidentes, alguns falam "é a revolta dos objetos".

domingo, 17 de agosto de 2008

É. O grande SIM

É. O grande SIM.

A afirmação, o ato de concórdia já não é promovido pelo enunciado que o intervêm? Sim.

Sim ao fim do homem, ao sujeito, ao indivíduo;

“Sim, máquina desejante!”

Movam seus pistões!

Caiam em seus porões!

– objetivações sem nãos –

Vão ser seu desejo

Escorram pelo abismo

Escapem à formas

Inundem desertos

Na repetição social

O instante formata-se

Distante, em multidões,

Motor do vazio

Em sons sem-ser

Não é. A negação é uma afirmação, não há saída. De todos os lados, em um procedimento maquínico, tornamo-nos sim-tido; ou, o sentido que não há.

“...máquinas e campos vazios, um infinito deserto a se povoar. Grandes estruturas de aço, passos-largoam sobre os mundos. Mais o que lhes saciam? “Sim”. Apenas isso. Rizomas na terra, pensamentos no espaço.”

Autômatos rizomatizam-se por entre os estratos, querem melhor desterritorializarem-se. O sim e a imanência, a garantia do movimento, a continuidade, a resposta do acordo; a dispersão para onde há. Parar não é possível.

“e então, num simétrico balançar de cabeça, tudo está dito, o amargo engolido, e o ser desespera em não ter outra opção”

O sim que dizemos a cada segundo que escolhemos viver, talvez não seja então, tão justificável. Moldados pela caixa que nos comporta, repetimos entusiasticamente “esta é minha forma”, acreditando que fora dela, escorreríamos pelos bueiros. Digo: escorram! Tornem-se líquidos, vapores. Se o movimento é imanente, acelere. Escorra pelos estratos, vomite, urine. Jogue-se por todos os lados.

É assim que estará deixando para trás “você” – rastro do porvir. Não há o que temer, o que há de vir, já é. O lamento de seu não-Eu, de nada adianta. Marcar o que no vazio? O grande SIM ao escapamento. À fuga; do carburador e do verbo.

A “instituição-social” foi produzida no Sim. O acordo. A lei. O reverbe. A resposta premeditada. O aceno consentido. Digamos um SIM ainda maior, abandonemos nosso NÂO infantil, sejamos imperativos.

O NÃO que ficou reservado ao desvio, deverá submerger. Um não ainda a ser dito, ainda à não poder ser contido. Um não que reverta a imanência, que a torne contra-tendência. Que revire todos os acordos, e exponha a carne-viva que somos.

Procuremos nossas próprias feridas, enfiemos os dedos, e as mãos, tornemo-nos sádicos de nossa própria dor. “caímos no fosso, no vazio, e escorremos pelo infinito”...

“um dia, acordei e já não era mais eu. Mas se já não me era, como poderia saber?”

Em nossa escalada biológica, o sim é o ponto de partida, o berço da “cultura”, o nascimento do homem-social. Se nossa própria negação, é a tentativa de afirmação, (como nas crianças, “me afirmo negando”) afirmemos sem notar os firmamentos.

Que se abra o grande sim, em múltiplas e infindas abas de olhares-possíveis, e que o SIM responda ao caos: “vou bem atrás, seguindo seus passos”; forjemos homens sem moldes – em forjas fragmentárias de estruturas impossíveis; braços sem mãos, olhos de cheirar, buracos de cair; cabelos de comer, e, assim por diante, aniquilemos funções dadas para dados ainda não formatados. Formatar – for-matar-se.

Abandonemos a métrica, e cultuemos as desproporções. Cortemos os pulsos, e bebamos nosso sangue ainda cálido. Torremos nossos dedos, e quebremos nossos joelhos. Se olhamos para o futuro, pouco importa – é o eterno presente, quente e insaciável, que objetivamos.

O sim e a repetição. A pergunta e sua resposta. A repetição, a imanência. Uma máquina, um motor, sacode seus pistões, e depois voltam ao ciclo de suas repetições.

máquinas de é.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O homem no fim do começo.

Anti-humanismo em letra - primeiros momentos...

Para alguns não é uma grande novidade, para outros, nem sequer é uma questão.
Da forma ao conteúdo, o que chamamos de homem, símeo de recente idade, já não mais responde as turvas origens biológicas as quais teoricamente fez parte. Das ferramentas primitivas, extenções que acabaram moldando braços e polegares, aos fluxos elétricos que controlam batimentos cardíacos, ou operações comunicacionais, o homem dissocia-se cada vez mais de sua forma conservadora.
Não há o que temer, nem o que deter. Não é que nos tornaremos máquinas, já as somos, "máquinas de máquinas". A vida, desde sua mais simples configuração, tem nessa metáfora sua mais clara condição. Máquinas dependentes da apropriação. Apropriam-se de suas iguais, e lhes dão funções, fazem-lhe orgões, apropriam-se de suas diferentes, as consomem e as submetem a hierarquia da força.
Chega de prezarmos por um ente que nunca existiu, abalemos as estruturas do pensável, do possível e tornemo-nos fluxo, choque, meio, sinapses. Anamorfoses.

Não há nada para prezervarmos, devemos tornarmo-nos aberrações de nossas vontades, monstros de nossos desejos. Levados pelos instintos, pulsões...

Se assim não postarmo-nos, seremos levados pela máquina social, castradora e ditadora, que nos tornará mostros de nós mesmos... opacos em olhos, vazios em mentes, secos em desejo, nulos em vontades...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Sem licença

Cá estamos;

não sei se tenho algo à dizer, mas adoro contrariar-me...

nada de apelações emocionais, moralismo, ou verdade

dou assim, em poucas palavras, o início a minha ode aos humanistas, os quais certamente serão bastante tocados...